Jornalista: Filipe Dias | Fotografia: Teresa Mesquita
A longa espera valeu a pena… Linkin Park fizeram deles a Cidade do Rock! O segundo dia do Rock in Rio foi o primeiro a esgotar há já muito tempo. A estreia em Portugal dos Linkin Park agora com a Emily Amstrong como nova vocalista era aguardada com muita ansiedade, num misto de opiniões e ceticismo. Emily não é o Chester e quem vem ver e ouvir estes “novos” Linkin Park não pode estar à espera disso.
O dia era de Rock, mas não foi só disso que se tratou, pois, o hip-hop também se fez ouvir neste dia. Com os portugueses Dealema e o Sam The Kid com a Orquestra Orelha Negra e chamarem muita gente ao Palco Music Valley, um pouco antes de subirem ao Palco Mundo depois do espetáculo Aéreo, um dos grandes nomes do hip-hop americano Cypress Hill, que não defraudaram as expectativas do público presente apresentando clássicos como “How I Could Just Kill a Man”, tema que abriu a atuação, “Insane in the brain”, “Dr. Greenthumb” e ainda fizeram a delícia do público com o tema “Bombtrack” dos Rage Against the Machine e a sua “(Rock) Superstar”. O concerto ficou marcado com o término antecipado do concerto para que fosse dada assistência a uma pessoa do publico que se sentiu mal. A abertura deste dia de Rock coube à grande banda Punk-Rock portuguesa do bairro de Alvalade, os Tara Perdida que chamaram até ao Palco Super Rock uma imensidão de público que se encontrava já no recinto às 15h da tarde com um calor abrasador. Nostalgia e a emoção marcaram uma atuação de mão cheia com muitos clássicos da banda onde podemos destacar o mítico “Lisboa” e a despedida com “Bairro de Alvalade”. O punk-rock está mais do que vivo e recomenda-se com o Ruka, Ganso, Kistos e Filipe a mostrarem que após 20 anos este regresso à cidade do rock foi em grande.
No Palco Mundo, Granson e The Pretty Reckless foram abrindo as hostilidades para o que vira a ser o grande concerto da noite. E antes do momento mais aguardado não podemos deixar de falar de duas bandas que regressaram ao nosso país com uma intensidade e com uma energia contagiante e a pedirem mais tempo de atuação. Falemos primeiro de Ricky Wilson, para mim um dos melhores entertainers/front man de uma banda, sempre com uma química contagiante com o publico mostrou que após 21 anos desde o primeiro concerto no nosso país (primeira parte de U2 em Alvalade em 2005), os Kaiser Chiefs continuam a fazer a delicia do publico que encheu por completo o recinto do Palco Super Bock para um concerto em comunhão com o publico desde a primeira nota que se ouviu, com “Everyday I Love You Less and Less” a dar inicio a um concerto que foi uma festa do inicio ao fim. Com o seu Indie-Rock e numa atuação quase non-stop não faltaram mais clássicos, com Ricky Wilson a dizer que Portugal continuava a ser o melhor país para tocarem ao vivo, “I Love You, Portugal”, fez questão de frisar quase logo no inicio. “I Predict a Riot”, “Oh My God”, “Na Na Na Na Na”, “Never Miss a Bit” e o momento mais alto da atuação com “Ruby” que entoou bem alto pelo recinto todo. Ricky tal como sempre nos habituou lá subiu para uma das torres técnicas de som para cantar “The Angry Mob” para mais um momento alto. Um concerto que mostra que os Kaiser Chiefs continuam a ser uma das melhores bandas a atuarem ao vivo.
No mesmo Palco e uma hora antes dos Linkin Park subirem ao Palco Mundo. Foi a vez do regresso ao nosso país dos americanos Hoobastank que trazem na calha um álbum novo a ser lançado brevemente. A banda liderada por Doug Robb trouxe de volta os anos 2000 a um Palco Super Bock com uma multidão que enchia a frente do palco por completo e que num misto de emoção e saudade viajou no tempo pelos clássicos da banda que mais uma vez se mostrou com uma cumplicidade tremenda com o público. “Remember Me” foi a primeira a ter o seu refrão entoado em uníssono, onde se seguiram outras como “Born to Lead”, “Running Away”, o sigle do álbum que está prestes a ser lançado, How do You Sleep”, seguiram-se “Same Direction” e para um final simplesmente grandioso, “Out of Control”, “The Reason” um dos momentos mais altos da atuação, e para o término com muito salto “Crawling in the Dark”. Espero que não demorem tanto tempo a regressarem de novo ao nosso país.
Por fim a tão aguardada atuação passavam 20 minutos das 23h. Um relógio surgia no palco com uma contagem decrescente. Uma multidão de 90 mil pessoas aguardava ansiosa para ouvir a voz da Emily, alguns com algum ceticismo, outros com emoção… a contagem decrescente terminada como se tratasse de uma festa de ano até ao zero. Era hora dos Linkin Park. A entrada da banda fez-se ao som de “Castles of Glass” com uma ovação e um welcome back quase que ensurdecedor por parte do público, à qual se segui “The Emptiness Machine” com Mike e Emily a tentarem fazer jus ao legado da banda, com um começo de concerto que contou logo com “Crawling”, “Up from the Bottom” e “Somewhere I Belong” numa atuação que é feita como “atos”. Alternando entre clássicos intemporais da banda e musicas do ultimo álbum “From Zero”, Emily mostra-se como detentora de uma voz fantástica, mas engane-se que está à espera que consiga registos vocais como os de Chester, e nem é isso que se devia de pretender. Apesar de deixar sempre saudade, a “roupagem” das musicas antigas está bem conseguida pela banda e por Emily. Um dos momentos mais marcantes foi a emoção com que Emily cantou “Where’d you go” onde deixou escapar umas lágrimas. “Two Faced” e “One Step Closer” com o publico por vezes a sobreporse à banda no coro indescritível. Por entre confétis, seguiram-se “Lost”, “Braking the Habit”, “What i’ve Done”, no primeiro encore e também num dos momentos mais altos da noite seguiram-se “Numb”, “Heavy is The Crown” e “Bleed it Out” a terminar com um jogo de luzes e lasers para terminarem em mais um encore com “Papercut”, “In the End” e “Faint” cantado também em uníssono por um publico rendido as estes “novos” Linkin Park com a Emily a estar como peixe na água nas novas musicas e talvez pelo peso da responsabilidade algo “tímida” na roupagem das musicas mais antigas mas mesmo assim a cumprir muito bem. Sem duvida que um concerto para recordar e onde o publico não pode dizer que se sentiu defraudado, muito pelo contrário.
E foi assim que terminou o Dia do Rock no Rock in Rio Lisboa, com um cabeça de cartaz que fez jus ao seu legado.
