LUCA ARGEL CELEBRA O FESTIVAL DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA NO PALCO DO FESTIVAL DA CANÇÃO

Homenagem na RTP coincide com fase de afirmação de O Homem Triste, com concertos especiais com Moreno Veloso em Braga e Lisboa

No sábado, 21 de fevereiro, Luca Argel regressou ao palco do Festival da Canção, desta vez como convidado da RTP para liderar um momento de celebração do histórico Festival da Música Popular Brasileira, marco cultural que revelou e consolidou nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, e que permanece como um dos grandes paralelos históricos do próprio Festival da Canção.

A homenagem recuperou quatro canções incontornáveis desse período: “A Banda”, de Chico Buarque; “Disparada”, celebrizada por Jair Rodrigues; “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil; e “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, num medley que cruzou memória, energia coletiva e reinvenção estética. Ao revisitar temas que ajudaram a redefinir a música popular brasileira, Luca Argel não se limitou a um exercício nostálgico: trouxe-os para o presente através de uma abordagem rítmica ancorada nas matrizes estruturantes da música brasileira, do coco ao maracatu, do ijexá à marchinha e ao axé, sublinhando o samba como espinha dorsal simbólica dessa herança.

Um ano após ter participado no Festival da Canção com uma composição centrada na experiência migrante, Luca Argel regressou agora com um gesto ampliado: uma formação de 12 músicos brasileiros que vivem e trabalham em Portugal, transformando o palco num espaço de representação dessa presença artística contemporânea.

Se anteriormente a sua presença trouxe uma narrativa íntima sobre deslocação e pertença, desta vez a reflexão ganhou dimensão coletiva. Ao colocar em diálogo a memória dos festivais brasileiros dos anos 1960 com o presente da comunidade brasileira em Portugal, o artista reafirmou a continuidade de uma tradição crítica da canção, aquela que alia invenção estética, comentário social e compromisso humano.

A própria constituição da banda tornou-se afirmação simbólica: seis mulheres e seis homens em palco, com forte presença de artistas afro-descendentes e representantes de povos originários, celebrando a matriz afro-indígena da cultura brasileira. A atuação assumiu-se como retrato vivo da diversidade que hoje caracteriza a criação musical brasileira em território português.

Fotos: Festival da Canção | RTP

Este momento televisivo acontece numa fase particularmente significativa do percurso de Luca Argel. A digressão de O Homem Triste, álbum produzido por Moreno Veloso, já está em curso, e o músico prepara agora dois concertos especiais em Portugal com a presença do próprio Moreno Veloso em palco: 28 de fevereiro, no Theatro Circo, em Braga, e 2 de março, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, este último já esgotado. O reencontro entre artista e produtor, agora ao vivo, reforça a dimensão colaborativa do disco e sublinha a continuidade criativa que marcou a sua construção.

Mais do que um conjunto de canções, O Homem Triste afirma-se como um projeto conceptual que interroga as raízes emocionais da masculinidade, propondo uma escuta atenta daquilo que, tantas vezes, se manifesta como raiva mas nasce da tristeza não reconhecida. Musicalmente, o disco percorre diferentes paisagens da canção brasileira e da música popular contemporânea, mantendo o samba como matriz simbólica e emocional e afirmando a travessia atlântica como parte essencial da identidade artística de Luca Argel. Um percurso que encontra nestes concertos especiais uma extensão natural em palco.

Nesse sentido, a homenagem apresentada no Festival da Canção não surge como episódio isolado, mas como extensão natural de um percurso que cruza memória histórica, consciência social e criação contemporânea, reafirmando Luca Argel como uma das vozes mais consistentes no diálogo cultural entre Brasil e Portugal.

Ficha Artística — Festival da Canção 2026
Luca Argel — voz e guitarra
Karla da Silva — voz
Nani Medeiros — voz
Bruno Pereira — violão 7 cordas
Juju Batera — bateria
Bibi Nobre — baixo
Diogo Guanabara — bandolim
Juninho Ibituruna — percussão
Tida Pinheiro — percussão
Emile Pereira — percussão
Neném do Chalé — percussão
Jhon Douglas — guitarra elétrica

Créditos da foto: © Krystallenia Batziou
LUCA ARGEL — DIGRESSÃO “O HOMEM TRISTE”

28 fevereiro — Theatro Circo, Braga (com Moreno Veloso)

02 março — Teatro Maria Matos, Lisboa (com Moreno Veloso) – ESGOTADO

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