Doze anos depois da última atuação em solo português, os 30 Seconds to Mars regressaram ao palco do Festival MEO Marés Vivas e, segundo palavras do próprio Jared Leto, protagonizaram o melhor concerto da sua digressão europeia.
O segundo dia do festival, mais uma vez com lotação esgotada, arrancou no Palco MEO com a atuação de Luís Trigacheiro e Buba Espinho. Os dois alentejanos trouxeram consigo a essência das suas raízes, enchendo o recinto com as sonoridades do cante alentejano. Uma verdadeira surpresa para quem ainda não conhecia o seu trabalho. Temas como “Meu nome é saudade”, “Roubei-te um beijo”, “Casa” e a incontornável “Menina estás à janela” conquistaram os aplausos calorosos de uma multidão já bem composta diante do palco principal.
Seguiram-se Nena e Joana Almeirante com o seu novo projeto “Dois Pares de Botas”, onde, em perfeita harmonia, deram voz a canções com inspiração country. Com as suas vozes doces, encantaram o público com temas como “É o que é”, “Os croquetes acabam”, “Portas do Sol”, “Passo a Passo” e uma versão muito aplaudida do clássico “Jolene”, entre outros. A atuação foi recebida com um coro de palmas que ecoou pelo recinto.
Perto das 21h, subiram ao palco Miguel Araújo e Os Quatro e Meia para um dos momentos altos do dia. Ovacionados por uma imensa plateia, deram um espetáculo memorável, recheado de boa disposição e músicas que fazem parte da banda sonora de muitos portugueses. Durante duas horas, ofereceram uma verdadeira festa com temas como “Quem és tu miúda” e “Anda comigo ver os aviões” (dos Azeitonas), “O pica das sete” (de António Zambujo), “Bom rapaz”, “Os maridos das outras”, “A terra gira”, “O tempo vai esperar”, “Olá solidão”, entre outros. O momento em que o público inteiro cantou em uníssono “Sentir o Sol” foi mágico. E quando chegou “Talvez se eu dançasse”, com todos — banda incluída — a dançar, o recinto transformou-se numa celebração pura de alegria. Lindo!
A noite fechou com chave de ouro com o tão aguardado concerto dos 30 Seconds to Mars. Apesar da chuva que começou a cair, mais de 40.000 pessoas permaneceram no recinto, firmes na expectativa de ver os irmãos Leto. E não saíram defraudadas.
“Monolith” anunciou a entrada em palco da banda e lançou o público num êxtase coletivo quando soaram os primeiros acordes de “Up in the Air”. Jared Leto manteve a sua habitual ligação intensa com os fãs, chamando vários ao palco — logo no início, com “Rescue Me”, e num final apoteótico com “Closer to the Edge”, que contou com dezenas de fãs em palco, num momento inesquecível para todos.
Clássicos como “The Kill (Bury Me)”, “This Is War”, “Night of the Hunter”, “Walk on Water” e “A Beautiful Lie” marcaram presença num concerto poderoso, que integra a digressão Seasons Tour, celebrando os 20 anos do álbum A Beautiful Lie.
Nem a chuva conseguiu ensombrar esta noite que ficará para sempre gravada na memória de quem lá esteve.
