Portátil: Uma Viagem ao Passado, à Comédia e ao Encanto das Histórias de Vida

“Portátil”: A Comédia da Vida e os Encontros Inesperados

Portátil é uma celebração única da espontaneidade e da ligação humana, uma obra que mistura improvisação, humor e sensibilidade. Criado pelo coletivo Porta dos Fundos, com encenação de Bárbara Duvivier, o espetáculo reúne no palco os atores Gregório Duvivier, João Vicente de Castro, Gustavo Miranda e Luciana Paes, além do músico e sonoplasta Andrés Giraldo. Cada apresentação nasce de uma entrevista com um convidado da plateia, cujo relato inspira uma peça inteiramente improvisada, mas com uma estrutura narrativa bem definida.

O início da peça é simples, mas encantador. Os atores perguntam ao público como os seus pais se conheceram. A partir dessa questão, surgem histórias inusitadas, emocionantes e muitas vezes hilariantes. Uma dessas histórias, partilhada por uma espectadora, acaba por se tornar o centro da encenação dessa noite, transformando-se numa verdadeira festa de improvisação.

A história escolhida é, por si só, rica em elementos que poderiam facilmente pertencer a um conto de fadas contemporâneo, mas com a irreverência e o toque cômico típicos de Portátil. A espectadora, residente em Portugal, contou que a sua mãe, que era trigêmea, se apaixonou por um taxista português chamado Zé. No entanto, o enredo toma uma reviravolta inesperada quando o Zé português regressa a Portugal e a mãe acaba por casar com outro Zé — um brasileiro, também conhecido como Zé das Galinhas, que vivia no Brasil. A história, cheia de detalhes que são quase surreais, foi escolhida pelos atores para ser recriada no palco de forma divertida e irreverente.

O que se segue é uma verdadeira avalanche de improvisação, com Gregório Duvivier, João Vicente de Castro, Gustavo Miranda e Luciana Paes a interpretarem os personagens de maneira hilariante. Usando uma enorme energia e exagero, eles fazem a plateia rir das situações absurdas e inusitadas da vida quotidiana. A espectadora, que partilhou a sua própria história, passa a ser o centro das atenções, com a sua vida a ser encenada de forma carinhosa e divertida, repleta de momentos cómicos, mas também de uma ternura que toca o coração do público.

A própria espectadora, que trabalha como palhaço em hospitais pediátricos, vê-se agora refletida na sua própria história, transformada pela lente do humor. E a imagem do seu sonho de viver numa casa amarela com uma figueira, que ela partilhou com os atores, ganha uma dimensão quase poética quando a plateia observa, através da interpretação dos atores, como os elementos mais simples e cotidianos da vida podem ser, na verdade, fontes de magia e de risos.

Mas Portátil vai muito além de uma simples comédia. O espetáculo é também um convite à reflexão sobre as histórias que nos moldam, sobre os encontros e desencontros da vida e as peculiaridades que tornam cada trajetória única. Ao se divertir com a história da espectadora, o público é levado a questionar: quantas histórias semelhantes existem em cada um de nós, e o que podemos aprender com as vidas que se cruzam com as nossas?

Gregório Duvivier, João Vicente de Castro, Gustavo Miranda e Luciana Paes, com a sua habilidade de alternar entre o humor e a emoção, oferecem mais do que simples gargalhadas. Eles nos lembram que, por trás de cada história — por mais absurda ou improvável que seja — há uma humanidade que nos conecta.

Em Portátil, a vida transforma-se num espetáculo, e cada história partilhada torna-se uma fonte inesgotável de comédia e reflexão, onde o improvável e o encantador se encontram, criando uma experiência verdadeiramente inesquecível.

Blend Media
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