Uma Brancura Luminosa estreia em Lisboa a 14 de janeiro e estará em cena até 25 de janeiro, no Teatro Variedades, com interpretação de Ricardo Pereira e Sandra Barata Belo. O espetáculo tem adaptação e encenação de Sandra Barata Belo e parte do livro homónimo de Jon Fosse, uma das obras de ficção mais recentes do escritor norueguês, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 2023.
Uma Brancura Luminosa centra-se na história de um homem que conduz sem destino, ao acaso, até que o carro fica atolado numa estrada florestal. Perdido no interior da floresta, debaixo de um céu escuro e de neve, segue imerso num fluxo de pensamentos e memórias. Passado, presente e futuro cruzam-se, pondo em causa o que vê, o que é realidade ou espectro. No centro desta experiência surge a visão de uma estranha brancura luminosa.
A atração de Sandra Barata Belo por este texto nasce da musicalidade e do ritmo da escrita de Jon Fosse. “É um fluxo de pensamento que me deu imagens e que achei que tinha muito de teatro”, refere a criadora, sublinhando o carácter inquietante da narrativa e a sua capacidade de gerar múltiplas leituras. A adaptação ao teatro resultou de um longo processo de maturação, iniciado há cerca de dois anos, procurando respeitar o espírito do texto original e transformá-lo em linguagem cénica: “Tive muito tempo para o maturar, para pensar e para adaptar, para me libertar do texto e sentir que não estava a trair o autor. Literatura é literatura e teatro é teatro”.
Esse percurso prolongado de criação foi sendo partilhado com Ricardo Pereira, que destaca a ambiguidade e a abertura do universo de Fosse como um dos motores centrais do espetáculo. Metaforicamente, este texto “é como um casaco que serve a muitas pessoas, que se usa em várias situações, e representa vários momentos das nossas vidas.” A peça propõe uma viagem interior que se cruza com a experiência de cada espectador, sem impor significados fechados, mas cujo poder está em Jon Fosse “não nos dar todas as respostas.”
Apresentado em digressão por várias localidades do país, Uma Brancura Luminosa tem criado uma forte ligação com o público, que frequentemente permanece para as conversas após os espetáculos. As reações sublinham o impacto emocional da experiência e a liberdade interpretativa proposta pela peça. “Sentimos muitas vezes que o público não se mexe durante a peça toda. Acho que é sinal de que estão muito dentro daquilo que estamos a contar, dentro da viagem”, observa Ricardo Pereira.
Uma Brancura Luminosa apresenta-se no Teatro Variedades, em Lisboa, de 14 a 25 de janeiro. Nos dias 15 e 20 de janeiro, após o espetáculo, Ricardo Pereira e Sandra Barata Belo estarão disponíveis para conversar com o público, responder a questões sobre o processo criativo e partilhar pontos de vista sobre a peça.
Com cenografia de Rui Francisco, música original de Rui Carvalho (Filho da Mãe), movimento de Cláudia Nóvoa e acompanhamento na direção de atores de Rita Lello, Uma Brancura Luminosa afirma-se como um trabalho profundamente imersivo na subjetividade da escrita de Jon Fosse. Como resume Sandra Barata Belo: “Este espetáculo abre mais perguntas do que dá respostas; (…) isso é a beleza do teatro”.
